21 de janeiro de 2011
Eu precisava trajar uma cor. O novo dia revela a sua inspiração, eu só tinha olhos para você. Quanto vai durar? Causa e circunstância. O que sentÃamos tinha a duração daquele momento. Prolongamos o encontro, ordenamos ao instante: - Fique. E ficamos! Reféns ou não do dia que agora, somente agora, toma-me por dentro. Fizemos do amor uma salvação, do amor que torna-se merecimento por ser compartilhado. Do novo amor, sem dono, sem hora, por si só. E eu que precisava da manhã, eu que precisava dos dois para ser um só, escolhi amarelo. Escolhi meu dia constantemente amanhecendo.
24 de fevereiro de 2009
O tempo é o silêncio da transformação.
Aguardo sem voz seu movimento.
E por mais que me doa o corpo inteiro,
sua atuação não depende de mim.
Eu sou inteiro em preto e branco.
Os sonhos é que me enchem de cor.
Aqui os amigos sonham comigo.
E se assim não for…
16 de fevereiro de 2008
O telefone tocava depois das 02 horas.
Ele atendia.
A carta chegava 1 semana atrasada.
Ele recebia.
A conta com o valor errado.
Ele pagava.
Os beijos perfeitos.
Ele roubava.
Na rua molhada da chuva.
Ele andava.
O mundo funcionava dentro dele.
[ Era a resposta. ]
Seus sentidos caminhavam em sintonia.
[ A plenitude da perfeição. ]
24 de janeiro de 2008
Só digo que é amor quando a minha rotina é alterada.
A minha velocidade é violenta.
Em mim, a chama acesa precede o cigarro.
A minha constelação é caótica,
estelionatário das estrelas de amor e ódio.
Meus começos são intermináveis.
Inícios de horas longas e sem sentido.
Nada está perdido.
Muita luz que vem da janela descortinada,
Ah! O meu guarda-vistas!
Procuro nos olhos o que só pode ser encontrado no coração.
E das pequenas traições que o coração se esgota,
fujo com o meu medo grave:
do amor negligente,
do amor mediano,
do amor que não me veio ao coração nem ao olhar.
Por isso não posso te ter em mim.
Para provar do meu amor tem de provar de si mesmo.
Instintivamente te aceitaria,
mas hoje,
[ só hoje ]
me veio vento de notícia dizendo que o meu destino se repetirá.
Os pássaros agora voavam em auto-reverso.
Teus passos lentos e estranhamente direcionados para o oposto,
transformavam tua chegada em saída.
E o céu que mudava de cor,
redesenhava tons azuis-turquesa de uma tarde de sol macio.
Percebi os ponteiros do relógio.
Surpreendentemente guardava os nossos instantes,
como um número de telefone anotado à memória de um guardanapo marcado à batom.
Em todo o tempo
remendava os retalhos e construía a história.
O que deveria ser.
Sem a tua existência sustentável,
Sem a tua localização,
Sem o momento exato,
Nosso amor sem matéria,
Nosso amor cínico,
Nosso amor calado.
Era a minha realização.
Amar a tua presença repentina em mim.
Amar com a esperança de tudo terminar bem.
Assim como no dia em que todas as cartas de guerra chegam
acompanhadas de seus soldados,
com os braços longos para os abraços e pés fitados ao chão,
prolongando a esperança do amor compartilhado.
Ela teve um filho.
Um filho - homem - grego.
Dos presságios de sua sorte,
ele negou sua condenação.
Nas linhas dos profetas mágicos estava escrito:
Ele virá.
Como sopro de vida aos seres etéreos,
voará sem medo das nuvens e pousará nos corações insólitos.
Viverá do óbvio de suas necessidades e
não será adepto ao preço da escassez.
Diferente dos outros,
fará da felicidade o seu estado de práxis
e tranformará seus instantes sádicos em sua saborosa maturação.
27 de novembro de 2007
Acordo indisposto no domingo.
Acendo o cigarro e olho as verdes na janela.
Leio rapidamente as correspondências,
sento ao lado do telefone e espero.
Eis a minha rotina.
O que nós sentimos ainda não foi terminado,
por isso não me faz mal esperar.
Acerto os ponteiros pro relógio caminhar bem e
aguardo o nosso destino fatal.
Ninguém sabe como será o fim de cada encontro de vidas.
18 de setembro de 2007
Ontem caiu uma lágrima.
Uma só.
Como a gota de orvalho,
que depois dos ventos fortes,
se deixa levar por um sopro leve,
indo ao encontro do verde-folha.
Ao primeiro toque
a gota se torna árvore,
estendendo a ela o destino de seu caminho.
Mas hoje não se achou folha.
Sem o encontro marcado,
minha lágrima navegou no infinito.
e em silêncio de orvalho,
transformou-se em saudade.
19 de julho de 2007
Amanheci em estado novo,
orvalho das imagens secretas.
Estou livre de corpos e músicas e
em sombras de árvores e silêncio,
não fixo meus instantes em ninguém.
Em meu inusitado mundo verde
as coisas imóveis perdem o sentido.
A flecha que risca o espaço do tempo,
levando em sua ponta o destino,
aponta para os fragmentos de uma história incompleta.
Eu, como sou aos pedaços, após a união, tenho o melhor de mim.
A fumaça do cigarro aliada à inveja da luz,
revela o fantástico movimento que existe entre os reflexos.
Em vão, tento ajustar os ponteiros para o relógio caminhar bem.
Prende-se o coração, liberta-se a mente.
Estou livre e salvo por nascer de novo.