O elemento sedativo.

O nosso encontro real dá-se através das palavras. Só nas palavras, vão e vêm partes entre nós. E entre nós, desatamos a sangria e libertamos a manada, rasgando o espaço que - solitariamente - nos é dado. Palavras livres [re]criando a proximidade.

O elemento sedativo.

O nosso encontro real dá-se através das palavras. Só nas palavras, vão e vêm partes entre nós. E entre nós, desatamos a sangria e libertamos a manada, rasgando o espaço que - solitariamente - nos é dado. Palavras livres [re]criando a proximidade.
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Arquivo de: 2007

27.11.07

Rotina

Acordo indisposto no domingo.
Acendo o cigarro e olho as verdes na janela.
Leio rapidamente as correspondências,
sento ao lado do telefone e espero.
Eis a minha rotina.
O que nós sentimos ainda não foi terminado,
por isso não me faz mal esperar.
Acerto os ponteiros pro relógio caminhar bem e
aguardo o nosso destino fatal.
Ninguém sabe como será o fim de cada encontro de vidas.

18.09.07

Metamorphosis

Ontem caiu uma lágrima.
Uma só.
Como a gota de orvalho,
que depois dos ventos fortes,
se deixa levar por um sopro leve,
indo ao encontro do verde-folha.

Ao primeiro toque
a gota se torna árvore,
estendendo a ela o destino de seu caminho.

Mas hoje não se achou folha.
Sem o encontro marcado,
minha lágrima navegou no infinito.
e em silêncio de orvalho,
transformou-se em saudade.

19.07.07

Nascimento

Amanheci em estado novo,
orvalho das imagens secretas.
Estou livre de corpos e músicas e
em sombras de árvores e silêncio,
não fixo meus instantes em ninguém.

Em meu inusitado mundo verde
as coisas imóveis perdem o sentido.
A flecha que risca o espaço do tempo,
levando em sua ponta o destino,
aponta para os fragmentos de uma história incompleta.
Eu, como sou aos pedaços, após a união, tenho o melhor de mim.

A fumaça do cigarro aliada à inveja da luz,
revela o fantástico movimento que existe entre os reflexos.
Em vão, tento ajustar os ponteiros para o relógio caminhar bem.
Prende-se o coração, liberta-se a mente.
Estou livre e salvo por nascer de novo.

02.07.07

Prenúncio

Viver é de tamanha violência que me entrego à vida como um assassino às vésperas do crime. Torno-me animal com os outros animais e componho minha sinfonia em cólera, embora saiba que a ira é um prenúncio de morte. Ataco e defendo, guio-me pelos instintos, e com todos os indícios, mostro a mim mesmo que não estarei mais feliz.

12.06.07

Agulhas profanas.

Portas abertas à beira do abismo,
entre e faça a sua festa.
Ao sair, deixe a mensagem.
A secretária costuma entender as eletrônicas.
Venha, mas venha com amor,
e cure-me dos anjos tortos.
Corpo fechado por agulhas profanas,
aqui não jaz ninguém.
Só no vazio consigo ser livre.