O elemento sedativo.

O nosso encontro real dá-se através das palavras. Só nas palavras, vão e vêm partes entre nós. E entre nós, desatamos a sangria e libertamos a manada, rasgando o espaço que - solitariamente - nos é dado. Palavras livres [re]criando a proximidade.

O elemento sedativo.

O nosso encontro real dá-se através das palavras. Só nas palavras, vão e vêm partes entre nós. E entre nós, desatamos a sangria e libertamos a manada, rasgando o espaço que - solitariamente - nos é dado. Palavras livres [re]criando a proximidade.
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Arquivo de: 2008

16.02.08

A plenitude da perfeição

O telefone tocava depois das 02 horas.
Ele atendia.
A carta chegava 1 semana atrasada.
Ele recebia.
A conta com o valor errado.
Ele pagava.
Os beijos perfeitos.
Ele roubava.
Na rua molhada da chuva.
Ele andava.
O mundo funcionava dentro dele.
[  Era a resposta. ]
Seus sentidos caminhavam em sintonia.
[  A plenitude da perfeição. ]

24.01.08

Só.

Só digo que é amor quando a minha rotina é alterada.

Hoje

A minha velocidade é violenta.
Em mim, a chama acesa precede o cigarro.

A minha constelação é caótica,
estelionatário das estrelas de amor e ódio.

Meus começos são intermináveis.
Inícios de horas longas e sem sentido.
Nada está perdido.
Muita luz que vem da janela descortinada,
Ah! O meu guarda-vistas!
Procuro nos olhos o que só pode ser encontrado no coração.

E das pequenas traições que o coração se esgota,
fujo com o meu medo grave:
do amor negligente,
do amor mediano,
do amor que não me veio ao coração nem ao olhar.
Por isso não posso te ter em mim.
Para provar do meu amor tem de provar de si mesmo.
Instintivamente te aceitaria,
mas hoje,
[ só hoje ]
me veio vento de notícia dizendo que o meu destino se repetirá.

.. .

Os pássaros agora voavam em auto-reverso.
Teus passos lentos e estranhamente direcionados para o oposto,
transformavam tua chegada em saída.
E o céu que mudava de cor,
redesenhava tons azuis-turquesa de uma tarde de sol macio.

Percebi os ponteiros do relógio.
Surpreendentemente guardava os nossos instantes,
como um número de telefone anotado à memória de um guardanapo marcado à batom.
Em todo o tempo
remendava os retalhos e construía a história.

O que deveria ser.
Sem a tua existência sustentável,
Sem a tua localização,
Sem o momento exato,
Nosso amor sem matéria,
Nosso amor cínico,
Nosso amor calado.
Era a minha realização.

Amar a tua presença repentina em mim.
Amar com a esperança de tudo terminar bem.
Assim como no dia em que todas as cartas de guerra chegam
acompanhadas de seus soldados,
com os braços longos para os abraços e pés fitados ao chão,
prolongando a esperança do amor compartilhado.

Práxis

Ela teve um filho.
Um filho - homem - grego.
Dos presságios de sua sorte,
ele negou sua condenação.

Nas linhas dos profetas mágicos estava escrito:
Ele virá.
Como sopro de vida aos seres etéreos,
voará sem medo das nuvens e pousará nos corações insólitos.
Viverá do óbvio de suas necessidades e
não será adepto ao preço da escassez.
Diferente dos outros,
fará da felicidade o seu estado de práxis
e tranformará seus instantes sádicos em sua saborosa maturação.